A vida é um mistério em todos os aspectos.
Mesmo conhecendo perfeitamente as leis científicas da reprodução animal e
vegetal – biológicas, derivadas, naturalmente, da física e da química – e como
definitivamente evoluiu a vida na Terra, ainda existem processos inexplicáveis
pelo nosso conhecimento. Claro que é sempre complicado falar em lacunas e fatos
inexplicáveis, pois sabemos que o conhecimento científico demanda tempo para
evoluir. Mas a minha intenção não é, obviamente, questionar o conhecimento humano
ou menosprezá-lo.
Durante o longo tempo que fiquei sem
atualizar este blog, estudei a fundo diversos temas que sentia necessidade de
aprofundar, como genética e epigenética, nutrição, processamento cerebral,
inteligência artificial e psicologia cognitiva. Quanto mais entrava a fundo
nesses temas, mais me era exigido do meu conhecimento físico, filosófico e,
porque não, espiritual? Talvez falar em “conhecimento espiritual” seja um abuso
para uma página que foca a ciência acima de tudo, mas me pergunto o porquê
disso todos os dias.
A ciência, por definição, deve zelar pelo
conhecimento e desvendar as origens da humanidade e do universo. Bom, tais
origens se mantêm escondidas até hoje.
Muitas sociedades postularam deuses para
explicar aquilo que não tinham capacidade de compreender, o que perdurou na
filosofia durante muitos anos, impregnando nosso conhecimento e retardando o
desenvolvimento da ciência. Porém isso não significa, de maneira nenhuma, que
qualquer cultura dessas esteve errada em suas predições. Significa apenas que,
acomodadas, as grandes civilizações através dos séculos não se preocuparam em
estudar os fenômenos geofísicos e biológicos observáveis.
| Do site: http://eternosaprendizes.com |
Recentemente, na astronomia, houve um
postulado: a existência da energia escura. A energia escura compõe a parte do
universo que explicaria a quantidade de massa (energia) necessária para que o
universo se manifeste da maneira que observamos. Nunca foi detectada direta ou
indiretamente, mas sua existência é aceita na ciência tanto quanto os conceitos
eletromagnéticos e as partículas associadas, os quais foram substancialmente
testados, detectados e comprovados. Pergunto-me novamente qual o problema do
postulado da existência de Deus, se muitas culturas não O usam como explicação
para aquilo que não conhecem, mas apenas acreditam na existência de uma
inteligência superior a tudo que conhecemos e que tenha “projetado” o universo.
Vejo largas críticas às filosofias deístas
que atacam grosseiramente a imagem humana de Deus. Ora, naturalmente, as
culturas às quais me refiro repudiam fortemente essa imagem também. São culturas
amplamente espiritualistas que pregam a existência de corpos além do material,
corpos que seriam responsáveis pela nossa inteligência e consciência. Segundo
os grandes sábios do passado, esses corpos seriam a essência do ser humano, a
inteligência e a individualidade. Dado isso, o cérebro e o corpo humano num
geral são apenas máquinas, a interface entre o verdadeiro Eu e o mundo
material. Seria possível falar cientificamente sobre essas hipóteses?
Há alguns anos, os físicos L. Bass e Fred
Alan Wolf,
“observaram
que para que a inteligência possa operar, o acionamento de um neurônio tem que
ser acompanhado de numerosos neurônios correlatos, a distâncias macroscópicas –
até 10 cm, que é a largura do tecido cortical. Para que isso aconteça, observa
Wolf, precisamos que correlações não-locais (à maneira de Einstein, Podolsky e
Rosen, claro)1 existam no nível molecular de nosso cérebro, nas
sinapses. Dessa maneira, até o pensamento comum depende da natureza de eventos
quânticos.”2
Para que a não-localidade esteja presente no
processamento cerebral, as causas das ativações dos neurônios relacionados devem
estar entrelaçadas. E, como essa propriedade só se manifesta na escala
quântica, esta causa é quântica. Isso significa que o controle da inteligência
humana tem sua origem na escala sub-atômica (elétrons, prótons, quarks, etc). Acontece
que, até onde a física pôde investigar, elétrons e prótons não possuem
informação codificada.
A transferência de informação na eletrônica
se dá através de elétrons, claro, mas como essa comunicação se opera?
Utilizamos o sistema binário em toda a tecnologia, ou seja, codificação em 0 ou
1 (0 volts ou 5 volts, geralmente). Então, essa tensão gerada produz correntes
de acordo com os elementos do sistema, o que engloba um sem número de elétrons
transferidos para cada pulso de tensão. A informação, portanto, é codificada
como existência ou ausência de tensão, não havendo, dessa maneira, necessidade de se usar este ou aquele elétron. As propriedades das partículas não se alteram
em todo o universo, só podemos alterar sua energia (números quânticos
principais e secundários), sua posição e seu spin.
Então onde estaria armazenada a informação que permite ao cérebro
entrelaçar partículas e definir quando os estímulos acontecerão? Devem,
naturalmente, existir em um organismo mais complexo. Fazendo um paralelo com a
eletrônica, deve haver um software que defina como o hardware operará. No ramo
tecnológico, o software está gravado nas memórias físicas, definindo como
outras partes físicas operarão para que diferentes softwares possam ser
acessados. Ou seja, o software é uma programação mecânica que age sobre a
própria essência, o hardware. Quem opera inteligentemente uma máquina é nada
mais que um ser humano, o que nos leva a atualizar a relação hierárquica que
definimos entre programa e dispositivo eletrônico físico.
O que acontece, de fato, ao digitarmos um
texto como este, é que decidimos quais trilhas semicondutoras receberão o
estímulo “um” e quais permanecerão no “zero”. A fonte de energia do computador
mantém latentes as possibilidades de estímulos e nós, quando fechamos um
contato – a partir de uma tecla, por exemplo – decidimos o fluxo de energia. É aí que entram os diversos corpos metafísicos
postulados por sábios há milênios em diversas culturas.
| Do site: http://reportersombra.com |
Espiritualistas dizem que há um espírito em
cada ser. Na verdade, que cada ser é um espirito que recebe a dádiva da vida
material, um corpo, com o intuito de desenvolver sua mente, sua essência, e
voar cada vez mais alto numa escala espiritual, aparentemente em outras
dimensões do espaço físico. Tudo parece uma linda história de ficção e, na
opinião de muitos, não passa de superstição religiosa. Porém, nos últimos anos,
a ciência vem se enchendo de grandes nomes que apoiam as teorias metafísicas,
comumente apelidadas de pseudociência.
Um dos grandes argumentos que ataca essas
teorias é baseado no princípio da conservação de energia3. Como se sabe,
toda energia inserida em um sistema deve ser dissipada, transformada ou transferida,
mas nenhuma parcela dessa energia pode desaparecer ou ser criada. Esse
postulado da física foi comprovado em 100% dos experimentos desde o início da
ciência metódica e ganhou muita força a partir da teoria da relatividade geral
de Einstein principalmente, por ter sido explicado de maneira mais pura e bem
elaborada.
Os que atacam afirmam que, se houvesse
qualquer interação entre espírito e matéria, poderíamos captar a energia que
flui de um ponto a outro do sistema. Essa concordância seria, definitivamente,
irrefutável se houvesse apenas a maneira “energética” de comunicar dois corpos.
O que quero expor com esse comentário? Com certeza, não estou desafiando o
princípio da conservação. Se voltarmos à analogia da interação
operador-computador, poderemos explicar melhor as possibilidades.
![]() |
| Do site: http://desperteconsciente.blogspot.com.br/ |
Quando apertamos a tecla do nosso laptop e
fechamos dois contatos – definindo o caminho por onde o pulso de tensão será
transmitido – não inserimos energia extra no sistema eletrônico. Dissipamos, é
claro, energia térmica e sonora, através do choque das partes móveis, que foram
deslocadas pela energia mecânica transmitida de nossos dedos. Porém, essa
energia não é captada pelo computador e é suficientemente pequena para não ser
detectada. Portanto, se qualquer sistema atua em nosso cérebro com o papel de “fechar
contatos” (em alguma parte que ainda não conhecemos), ativando um neurônio, não
perceberemos qualquer fluxo energético. Nesse suposto caso, a fonte de energia
se encontra dentro das células, é produção própria através de “alimentos”
captados do corpo humano, faltando apenas um gatilho para o início de uma
operação.
As hipóteses metafísicas, se unidas às
teorias físicas, abrem espaço para a dedução de um Deus onipresente. Se
partículas subatômicas podem estar entrelaçadas e atuarem de maneira definitiva
na nossa consciência, porque não poderia o universo ter uma consciência também?
Se a consciência for uma propriedade de algo além das partículas, nada impede
que organismos muito mais complexos exibam qualquer inteligência, naturalmente,
superior à nossa.
Concluindo então a nossa analogia, temos o hardware
como cérebro, o software como sistemas corporais mecanizados e o homem que
opera a máquina como o espírito, o que decide e dá vida e inteligência à
matéria. Como diz Goswami em seu livro O
universo autoconsciente, a famosa frase de Descartes – penso, logo existo – pode ser alterada para: escolho, logo existo.
Notas:
1 Paradoxo EPR (Einstein, Podolsky e
Rosen). Estas três mentes brilhantes questionaram a mecânica quântica desde a
sua concepção por acharem impossível que uma partícula pudesse se comunicar com
outra instantaneamente. Duvidaram de muitos conceitos dessa nova ciência e
lutaram fortemente contra eles. Vale apena pesquisar o tema.
2 Goswami, Amit – O universo
autoconsciente. Sugiro a busca pelos trabalho pessoais de Wolf e Bass.
3 Conservação de energia é, talvez, a
maior teoria da física. Totalmente comprovada, a ideia garante que não há
criação ou desaparecimento de energia em todo o universo. Isto é, toda a
matéria e energia foram criadas no início do universo e nada desde então se
perde. Todos os sistemas são energeticamente conservativos, de modo que toda
energia que é inserida no sistema deve, com toda a certeza, aparecer como
reflexos em outros pontos do mesmo sistema.

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